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Crítica da Revista Aplauso

Crítica: Nos Embalos da Jovem Guarda

Olho Saias rodadas, iê-iê-iê e fãs histéricas fazem de espetáculo da Compan

Ferdinando Martins, especial para o Aplauso Brasil (fmartins@aplausobrasil.com)

SÃO PAULO – Estrelas consagradas na História da MPB, artistas como Roberto e Erasmo Carlos, Wanderléa e Celly Campello tiveram de cavar seu espaço no mundo do entretenimento remando contra a maré. Pós-bossa nova, a patota da Jovem Guarda fez sucesso em um ambiente dominado pela música de protesto, feitas com letras politizadas e sem guitarra elétrica.

De certa forma, esta é também a história da Companhia Nacional de Teatro Musical, que na última terça-feira, 13 de janeiro, estreou Nos Embalos da Jovem Guarda – Show, no Teatro Folha, em São Paulo. Em meio às produções de alto custo e muita mídia do teatro musical em cartaz no país, a companhia conseguiu fazer um espetáculo primoroso e ganhar notoriedade ainda que com bem menos recursos e com repertório genuinamente brasileiro.

Fundada em 2007, a Companhia Nacional de Teatro Musical já ganhou diversos prêmios de atuação em vários festivais e revelou profissionais de talento. Além dos atores, o grupo conta com produtores, maestros, coreógrafos, professores de canto e dança e iluminadores, todos trabalhando sob a coordenação de Marllos Silva, diretor e fundador da companhia.

Em Nos Embalos da Jovem Guarda – Show, o grupo presta homenagem aos cantores e o espetáculo se passa em um programa de auditório da década de 60 do século 20, em que atores-cantores interpretam grandes sucessos musicais da Jovem Guarda. O programa é apresentado por Silvio Araújo, personagem criado em homenagem à cantora Silvinha Araújo. Marllos, que também assina o texto, conseguiu sair-se bem com a difícil tarefa de costurar os números musicais com uma dramaturgia consistente e divertida.

O foco são as disputas amorosas que surgem entre cantores, divas, tietes e profissionais da TV. As referência da época são ora reais (a rua Augusta é citada com o point do momento) ora recriadas com fidedignidade (a Butique Tremendão e a Automotiva Calhambeque aparecem em merchandisings fictícios).

Para os fãs da Jovem Guarda, as músicas selecionadas compõem uma boa amostra do movimento: Ele é o Bom, Banho de Lua, Chuva, Pare o Casamento, Splish, Splash, Biquíni de Bolinha Amarelinha, Filme Triste, Estúpido Cúpido, Broto Legal, Calhambeque, entre outras.

O ponto alto é quando o contra-regra Alfredo (Rafael Pucca) canta Pode vir quente que eu estou fervendo. Também merece destaque a atuação de Michelle Zampieri, que interpreta a tiete Ana Maria. A atriz-cantora consegue fazer com que a platéia interaja, mas de uma forma sutil e sem agressões.

Pouca gente se lembra que o nome Jovem Marx vem de um discurso de Karl Marx. “O futuro está nas mãos da Jovem Guarda”, teria dito o filósofo alemão, em frase reproduzida depois pelo revolucionário Vladimir Lênin. O movimento extrapolou as fronteiras da música e tornou-se estilo de vida para certos grupos de jovens na década de 1960. Parte da significativa da indústria cultural no Brasil se popularizou graças a esse estilo, para alguns “alienado”, para outros inovador. Afinal, qual seria a história do rock no Brasil sem o reis do iê-iê-iê? Nesse sentido, a Companhia Nacional de Teatro Musical presta uma mais que justa homenagem às garotas papo-firme e aos brotos legais. Morou?

Categorias:Uncategorized
  1. Joel
    30 de maio de 2009 às 23:30

    Perdi a temporada aqui em São Paulo dos Embalos…
    Tem previsão para nova temporada? Mesmo em outras cidades?

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